NZIMBU

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Ray Lema, Ballou Canta e Fredy Massamba, três gerações de cantores congoleses reunidos no álbum “Nzimbu” (“canto” ou “Fortuna” em Kikongo), publicado em janeiro de 2015 (One Drop / Rue Stendhal).

Ray Lema, 69 anos, é um dos patriarcas da música centro-africana moderna, dando continuidade à exploração de um mineral valioso do imenso Congo: seus cantos tradicionais. Sem percussão, a fim de revelar o poder melódico, mas trazendo uma certa modernidade com os “grooves” de seu piano, enriquecidos pelas linhas harmônicas do guitarrista brasileiro Rodrigo Viana. Para concretizar este projeto, ele chamou dois dos seus cadetes: Ballou Canta, 60 anos, um velho amigo; e o mais jovem Fredy Massamba, 42 anos, nova estrela da música congolesa.

Ballou Canta, depois de uma carreira bem sucedida como corista, conquistou seu espaço nos anos 90 com os Soukous Stars se estabelecendo como um dos porta-estandartes da rumba congolesa de Kinshasa e seus avatares (soukous, Kwasa Kwasa …). 

Fredy Massamba, membro de longa data da banda Les Tambores de Brazza, publicou nos últimos anos dois álbuns, Ethnophony e Makasi;  que trazem música da aldeia num contexto soul e hip-hop. 

Todos os três são Bakongo, grupo étnico do antigo Reino do Kongo, cujo território antes da colonização se estendia da atual província de Bas-Congo, República Democrática do Congo, ao extremo sudoeste do Congo abrangendo parte do norte Angola e Gabão. Em “Nzimbu” esses cantores de timbres complementares se exprimem principalmente em Kikongo, a língua desse grupo étnico, muito rítmica e adequada ao hip-hop de Fredy Massamba em “Nsongela”; e também em Lingala, mais prevalecente em Kinshasa. Depois de uma canção tradicional cantada a cappella em Kikongo, o disco deles viaja pelo dois Congos com uma rumba congolesa típica de Kinshasa (“Aigre Doux”), uma canção inspirada pelo canto pigmeu (Ntoto), outra construída a partir dos modos harmónicos de Luba (“Lusala”), grupo étnico do sul República Democrática do Congo. Outras canções sao orientadas diferentemente para a África do Sul (“Lusambu”) ou ainda a Angola com “Leila”. O violão de Rodrigo Viana ilumina essas músicas com um toque sutil, às vezes flertando com a música country. Ainda no mesmo álbum, “Les Oubliés Kivu.” Esta canção, em francês, lembra que a vida em algumas partes do Congo não é pontuada por cantos. Refere-se aos estupros em massa e os conflitos nesta região do leste da RDC.

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